RJ apura e nega casos da vaca louca

Fiocruz repudia boatos ligados a ‘vaca louca’; ministério informa que nunca foram confirmados casos no Brasil.

Arquivos de áudio que circulam na internet têm espalhado boatos sobre supostos casos de “mal da vaca louca” em Niterói. Um deles chega a falar em sete mortes. As autoridades de saúde negam: segundo elas, o que há, na verdade, são três casos suspeitos da doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ). Não houve notificações de mortes.

Doença neurodegenerativa sem cura, a DCJ tem uma variante conhecida como vDCJ, que é uma espécie de versão humana do “mal da vaca louca”. No entanto, segundo as autoridades, não há, até o momento, qualquer evidência da relação dos casos de Niterói com o consumo de carne bovina, ou seja, não é correto dizer que são casos de “vaca louca” (veja mais detalhes abaixo).

De acordo com a prefeitura de Niterói, chegaram a ser notificados quatro casos suspeitos de DCJ na rede privada da cidade. Três deles apareceram em 2016 e um, em 2017. Mas um deles já foi descartado. Agora, a Fundação Municipal de Saúde de Niterói, em conjunto com a Secretaria de Estado de Saúde do Rio, investiga e monitora os três pacientes com suspeita. Técnicos têm entrevistado os doentes e seus familiares para rastrear possíveis causas para a doença.

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) repudiou os boatos e disse que não “realizou qualquer exame diagnóstico ou recebeu casos suspeitos do ‘mal da vaca louca'”. A entidade pede ainda que a população “busque informações de fontes seguras e confiáveis”.

A Secretaria de Saúde informou ao G1, por telefone, que não tem qualquer registro da doença no estado do Rio.

O Ministério da Saúde também assegurou que o consumo de carne de vaca é seguro no Brasil. “Essas informações que estão circulando nos áudios não são reais. É muito seguro o consumo da carne vermelha de origem bovina no Brasil no sentido do risco de transmissão da doença da vaca louca porque essa doença nunca foi descrita no nosso país”, afirmou Sérgio Nishioka, coordenador geral de doenças transmissíveis do Ministério da Saúde, em entrevista ao Fantástico.

Os boatos levaram também a Vigilância Sanitária do município do Rio a postar no Twitter um alerta de que não há registros de “vaca louca” na capital:

A DCJ é uma doença regularmente diagnosticada no Brasil que afeta menos de 2 pessoas por milhão de habitantes por ano, segundo o Ministério da Saúde. Geralmente afeta pessoas entre 60 e 80 anos. O paciente desenvolve uma demência progressiva, com perda de coordenação e contrações musculares repentinas. Na fase terminal, ele ficando mudo e imóvel. O mal é causado pela ação no cérebro de partículas de proteínas infectantes chamadas “príons’’.

Em 85% dos casos, a doença aparece sem ter sido transmitida — seja por contaminação ou por herança genética. Os casos restantes ocorrem por transmissão hereditária ou em consequência de procedimentos cirúrgicos (transplantes de dura-máter e córnea) ou com uso de instrumentos neurocirúrgicos ou eletrodos cerebrais contaminados.

O Ministério da Saúde recebeu, de 2005 a 2014, 439 notificações de casos suspeitos de DCJ. Destes, 38 (8,6%) foram confirmados definitivamente; 15 (3,4 %) foram classificados como DCJ possível; 54 (12,3%) se enquadram como DCJ provável; 38 (8,6%) foram descartados; e 294 (67%) não possuem dados suficientes para definição.

A vDCJ, doença relacionada ao ‘mal da vaca louca’, por sua vez, está associada ao consumo de carne e subprodutos de bovinos contaminados com a encefalopatia espongiforme bovina, que é o nome científico da doença quando acomete as vacas. Diferentemente da forma clássica da DCJ, ela acomete principalmente pessoas jovens, abaixo dos 30 anos.

Os primeiros casos apareceram no Reino Unido, nos anos 1990. No Brasil, já foram levantadas suspeitas sobre a existência da doença anteriormente, em estados como Amazonas, Piauí e Paraíba, mas, até hoje, nunca foi realmente confirmado nenhum caso, segundo o Ministério da Saúde.

g1

13/03/2017