Moradores do Pinheiro, Mutange e Bebedouro sofrem com abalo emocional ao deixar suas casas

O problema geológico que atingiu milhares de residências nos bairros do Pinheiro, Mutange e Bebedouro afetou o emocional dos moradores, que já deixaram suas casas ou que precisam deixar. São histórias de vidas de pessoas que nasceram e cresceram nestes bairros e hoje não tem a garantia de suas moradias, que guardam a história de suas vidas.

Há quatro meses, o Conselho Regional de Psicologia (CRP), que fica instalado no Pinheiro, vem oferecendo acompanhamento psicológico para as famílias, que tiveram que deixar suas residências, por causa dos problemas no bairro, mas infelizmente alguns casos de depressão e até mesmo de suicídio foram notificados no bairro.

A psicóloga Zaíra Rafaela Lyra disse que durante este período não houve uma adesão dos moradores como era esperado. Ela conta que vários fatores podem ter levado a essa ‘não adesão’ dos serviços prestados.

“Tem vários fatores que podem levar a essa ‘não adesão’. Eu penso que o primeiro deles é a negação da amplitude do problema. E penso que é como se fosse assim, a gente de maneira geral relega, em primeiro plano, a saúde mental. É como se fosse assim, ‘Ah, e eu vou lá ter tempo de ir para um psicólogo?’. Quando a população em geral não entende que o tempo para o psicólogo é um tempo para você. É um momento seu”, conta a psicóloga.

Mas Zaíra conta que apesar do baixo número de procura do atendimento psicológico no Pinheiro, esse número não reflete uma realidade de modo geral. “Em alguns contextos da saúde pública e até da assistência social, as pessoas procuram por atendimento psicológico. Eu penso que tem a ver com esse fator. Porque onde tem posto de saúde na nossa cidade e tem psicólogo, a demanda é altíssima e muitos têm lista de espera”, afirmou.

Ela conta ainda que acredita que uma das dificuldades que interferem nessa procura pelo atendimento psicológico está ligado ao fator econômico de algumas famílias, ou até mesmo uma certa desconfiança por achar que os profissionais que prestam atendimento são recém formados atuando na área.

“Alguém me questionou um dia, ‘Mas são só recém formados? Não vai dar conta do tamanho do problema’. Pensaram isso. Temos um grupo muito misto, um grupo de psicólogos formados há mais tempo que eu. Tenho 12 anos de formada. E temos um psicólogo formado há 20 anos, engajado nesse projeto. Então não é um grupo de recém formados, é um grupo de psicólogos engajados que tem um compromisso social”, disse Zaíra.

Por fim, a psicóloga conta que os atendimentos seguem disponíveis não só para a região do Pinheiro como para toda a população e que vem sendo reforçado após firmarem parceria com a Secretaria de Assistência Social. Basta entrar em contato e buscar o atendimento psicológico específico.

“A gente continua com nosso grupo de voluntários disponível. A gente realiza alguns acompanhamentos. Temos vários serviços que a gente poderia está colaborando com a população. Tem atendimento acontecendo no próprio conselho e atendimento em clínica. Eles disponibilizaram os horários deles nas clínicas que eles atendem. É só ligar pra gente para saber a clínica onde atende, qual o psicólogo”, finalizou.

10/07/2019